Marketing Rural
Chegou a democracia da engorda?
Brasil inova e lança o confinamento a pasto sem volumoso
( Ariosto Mesquita )

A inacessibilidade do confinamento de gado para a maioria dos pecuaristas brasileiros pode estar chegando ao fim. As argumentações de que este sistema monitorado de engorda na entressafra tem um alto custo e apresenta grandes riscos também pode estar com os dias contados. A Escola de Veterinária da Universidade Federal de Goiás (UFG), a Universidade São Marcos e a empresa de nutrição animal Agrocria, lançaram no último dia 14 de maio o sistema de engorda batizado como “Confinamento a pasto sem volumoso”. As três partes garantem que o processo é inédito no mundo, uma evolução do sistema de confinamento sem volumoso surgido nos anos 70 nos Estados Unidos e de regular utilização na Argentina.

A diferença está na possibilidade de deixar os animais a campo com dieta controlada, e o baixo custo de implantação em função de uma mínima estrutura exigida. Antecedendo seu lançamento, os experimentos desenvolvidos por pesquisadores comprovaram bons resultados em ganho de peso, consumo de alimento, conversão alimentar, rendimento e acabamento de carcaça. O chamado “detalhamento técnico” deste sistema foi tese de doutorado do professor Hélio Louredo (UFG), defendida e aprovada no início deste ano, após aproximadamente 18 meses de estudos.

“Trata-se de um trabalho de extensionismo rural, pois estamos levando uma nova tecnologia de produção e democratizando o seu acesso para o pecuarista brasileiro”, comenta o professor e pesquisador da UFG. “Este sistema, no entanto, é viável apenas para regiões onde se produz milho a custo adequado”, completa.

Imprensa especializada – diante do ineditismo da proposta, as três frentes de desenvolvimento do sistema decidiram apresentá-la nacionalmente. Para isso, reuniram a imprensa especializada brasileira na Fazenda Barreiro, em Silvânia, GO, – distante 55 km de Goiânia – na manhã do dia 14 de maio. Lá, detalharam a novidade através de uma apresentação técnica e também a campo, para a visualização do resultado do desempenho de evolução dos animais.

Os bois foram divididos em grupos que passaram por seis dietas diferenciadas. Ao final, diante de todos os desempenhos, foi proposta a adoção do sistema de confinamento a pasto sem volumoso com dieta a base de 85% de milho grão inteiro e 15% de núcleo protéico-mineral-vitamínico peletizado. De acordo com o doutor em Ciência Animal e Pastagem pela Esalq/USP e gerente de produtos da Agrocria, Flávio Geraldo Ferreira Castro, esta mistura evita que o consumo exclusivo do milho, que é rico em amido, provoque a queda do pH ruminal, provocando diarréia, indisposição e perda de peso nos animais.

Dieta de milho inteiro e núcleo protéico peletizado – a pesquisa, no entanto, constatou que uma mudança abrupta na dieta dos animais na adoção de um sistema tradicional de confinamento em currais gerava um choque alimentar, prejudicando a engorda. A partir daí surgiu a idéia de se manter os animais a pasto permitindo o acesso tanto à ração quanto a volumoso (capim) durante os 15 primeiros dias de confinamento. Após este período o gado continua a pasto (mas sem volumoso) e passa a se alimentar exclusivamente a base da dieta com milho inteiro e núcleo protéico peletizado.

A adaptação à dieta é um dos segredos dos bons resultados deste novo programa de engorda. A oferta do composto de milho e núcleo protéico deve ser gradual. “Inicialmente, oferecemos a dieta na proporção de 1,2% do peso vivo do animal; com ajustes mediante a observação diária do cocho, durante 15 dias, chegamos ao índice de 2% de oferta diária de dieta por peso vivo”, explica Castro.

Este sistema foi considera