
No mês dedicado às mulheres, Panorama Rural mostra o crescente avanço da mulher na gestão do agronegócio brasileiro. Conversamos com várias produtoras que revelaram suas histórias de dificuldades e preconceitos e que, hoje, são exemplos de sucesso. Em pleno século 21, a mulher ainda sofre com o preconceito e a falta de oportunidades, principalmente no meio rural. No entanto, é no agronegócio que ela vem mudando os paradigmas e conquistando seu espaço – embora ainda tímido – provando que a sensibilidade pode superar a força braçal e que não há mais a necessidade de ter um ‘grande homem à sua frente’, pois ela já aprendeu o caminho.
Agropecuarista em Campos Novos, SC, Marlene Martins de Souza é exemplo de uma mulher de determinação, que mesmo com a perda do marido, não se abalou e assumiu o comando da propriedade, pois sentiu a necessidade em tocar o que era da família.
“Todo dinheiro que vinha da produção eu investia na propriedade e na educação de minhas duas filhas. Meu marido sempre dizia para jamais vender a propriedade, porque ela era o futuro de nossas filhas e que deveria continuar como herança familiar”, comenta.
Dos 215 hectares da fazenda Vô Mateus, 95 hectares são destinados à produção de milho, soja e aveia e o restante voltado à preservação ambiental e a pecuária de corte, com um rebanho de 50 cabeças.
Formada em administração de empresas, sua primeira medida foi a busca de uma parceria – que continua até hoje – com outro agricultor que tinhas as máquinas para o plantio e a colheita.
“Eu entro com a terra e ele com o maquinário, e gerenciamos juntos a produção, dividindo os lucros e ou prejuízos”, explica, revelando que o começo não foi fácil. “Sofri muito com a discriminação, pois na época, ver uma mulher na gestão de uma propriedade, era algo totalmente novo”, comenta Marlene.
“A mulher não precisa ter medo de enfrentar os problemas. Muitas vezes, ela não assume por medo de fracassar e alguém comentar seu fracasso. O sucesso de tudo esta no bom planejamento”, explica.
Marlene afirma que as mulheres devem estar atentas às realidades do mercado. “Neste processo, é muito importante o apoio da família, pois sozinha não se vai a lugar nenhum”, explica, orientando que é importante deixar o orgulho de lado, sempre pedir ajuda, buscar o conhecimento e ser arrojada – mas com os pés no chão.
“Tristeza não paga conta. Quando se sentir triste, olhe no espelho. Coloque a roupa mais bonita que tiver e siga em frente, porque atrás de você, há pessoas que dependem do seu sucesso”, afirma. “Depressão é a gente quem faz, tenha fé que tudo dará certo”, filosofa.
Associadas – Segunda maior cooperativa agropecuária de Santa Catarina, a Cooperativa Regional Agropecuária de Campos Novos, Copercampos, é formada por 1028 sócios, sendo que 7,3% são mulheres associadas, atuantes no setor agrícola e pecuário.
“A presença da mulher gestora vem ganhando destaque e é muito importante para o cooperativismo”, explica o diretor vice-presidente da Copercampos, Cláudio Hartmann.
Segundo ele, assim como em outros segmentos da sociedade, a mulher vem conquistando seu espaço e no campo não poderia ser diferente.
“A maioria das mulheres que assumem o campo é por força do destino – viuvez ou separação – e a cooperativa apóia estas mulheres visando sua integração entre a cooperativa e a parte social, pois para nós são novas idéias contribuindo para o crescimento do setor agropecuário”, afirma Hartmann.
Em 1999, em função da separação, Janete Zerwes assumiu a gestão da sociedade da fazenda Duas Barras, no município de Cáceres, MT. Na época, dos 20 mil hectares, cinco eram de pastagens que apresentavam sinais de degradação e baixa capacidade de suporte para o rebanho de ...