
A boa fase de agronegócio e prorrogação do Finame PSI (Programa de Sustentação de Investimento) têm sido o estímulo para as indústrias de colhedoras entrarem com pé direito em 2010, com projeções de um aumento significativo nas vendas.
No entanto, especialistas apontam para alguns cuidados que o produtor deve levar em conta na hora da troca ou aquisição de uma nova colhedora e, principalmente, em relação à regulagem da máquina durante a colheita, período que podem ocorrer elevadas perdas.
De acordo com a Associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotores, Anfavea, em 2009 as vendas de máquinas agrícolas totalizaram 55,3 mil unidades, um crescimento de 1,5% em comparação a 2008. No entanto, a comercialização de colhedoras no mesmo período teve uma queda de 14,4%, despencando de 4,4 mil unidades em 2008, para 3,8 mil no ano passado. Porém, em dezembro último, o mercado passou a sinalizar o reaquecimento na demanda por colhedoras, ficando 73% superior em relação ao mês anterior. Para 2010, a Anfavea prevê um crescimento tímido de 1% nos negócios com máquinas agrícolas, ficando próximo a 55,9 mil unidades.
Embora as projeções da Anfavea indicam estabilidade nas vendas, a indústria brasileira de colhedoras é unânime em afirmar que as estimativas de uma excelente safra, a recuperação da economia e o incentivo do governo através da prorrogação do Finame Agrícola PSI até o final de junho, a juros de 4,5% ao ano e prazo de 10 anos, serão a mola propulsora das vendas de colhedoras no Brasil.
“Praticamente todas as commodities estão com preços acima da média histórica e os custos de produção indicam uma redução para a safra 2009/10. Associado a isso, o atual Finame disponibiliza ao agricultor uma linha de crédito muito atrativa”, comenta o diretor comercial da John Deere para o Brasil, Werner Santos.
Segundo ele, há um crescente movimento de renovação da frota no campo, com os produtores optando por colhedoras mais modernas, principalmente as que disponibilizam a tecnologia do rotor.
“A revisão dos juros das linhas de crédito, certamente ajudarão em muito os agricultores na renovação da frota e as indústrias no aumento das vendas”, afirma Santos, ressaltando que a busca por máquinas maiores e mais eficientes, com redução das perdas e melhor qualidade do grão colhido, comprova cada vez mais a aceitação da tecnologia STS pelos produtores. Trata-se de um sistema que apresenta um módulo único longitudinal com três seções distintas, que efetua a trilha e a separação dos grãos da palha.
Crescimento – Para a empresa Valtra, embora com a retração de mercado ocorrida em 2009, a empresa alcançou um crescimento de 12,5 % até novembro, comparado ao mesmo período do ano anterior.
“Isso mostra a boa aceitação dos modelos BC 4500 e BC 7500 lançados em 2008”, explica o gerente de vendas de colhedoras da Valtra, Luiz Cambuhy.
A direção da empresa informa que o bom desenvolvimento das lavouras, principalmente da soja, e a prorrogação do Finame PSI, contribuirá definitivamente para que o volume de vendas em 2010 seja superior ao de 2009. Cambuhy aponta que o parque brasileiro de máquinas, principalmente colhedoras, possui uma idade média elevada e a relação colhedora por hectare plantada no Brasil é grande se comparada ao mercado americano e europeu.
“Nosso agricultor sabe disso e, hoje, a preocupação em aumentar o rendimento e baixar os custos operacionais é constante”, afirma, acrescentando que, o que segurava a renovação da frota de colheitadeiras era a falta de crédito e o alto endividamento do setor.
“Se não fosse o incentivo e a atenção dados pelo governo, em especial no segundo semestre de 2009, com certeza as vendas da indústria de colhedoras seriam muito menores”, revela.